Sarney, a saga de um farsante
Texto de Jens – www.tocadojens.blogspot.com
A história se repete como farsa. Será mesmo?
Os políticos brasileiros, sempre em busca da originalidade, encarregaram-se de modificar a assertiva cunhada pelo historiador marxista: aqui, do lado debaixo da Linha do Equador, depois da tragédia e da farsa, o ciclo se completa com a piada, o deboche escancarado. Observando as regras do bom jornalismo (atualmente em desuso na grande imprensa) uma afirmação assim tão categórica precisa ser corroborada pela verdade factual. Então, vamos lá.
A tragédia.
Em 15 de janeiro de 1985, o mineiro Tancredo Neves (PMDB) foi eleito presidente do Brasil pelo Colégio Eleitoral, tendo José Sarney como vice-presidente. Na véspera da posse, 14 de março, Tancredo baixou o hospital, gravemente doente. Em 21 de abril (na mesma data da morte de Tiradentes), Tancredo faleceu vítima de infecção generalizada, aos 75 anos. Terminava a tragédia e começava o embuste.
A farsa – o início
As novas gerações talvez não saibam, por isto é bom relembrar as origens de José Sarney na política. Nhonhô Sarney despontou na política nacional nos anis 60, alinhado à União Democrática Nacional (UDN – pra melhor entender, hoje seria uma junção de PSDB e DEM). Inicialmente apoiou João Goulart, então no poder. Depois do golpe de 64, passou para a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), o partido que apoiava a ditadura militar. Governou o Maranhão (1966-1971, sob a condescendência dos generais de plantão) e cumpriu dois mandatos como senador (1971-1985), tornando-se um dos principais representantes políticos do regime militar. Em 1979. Após o fim do bipartidarismo, participou da fundação do PDS (Partido Democrático Social), que igualmente apoiava os gorilas fardados.
A farsa – o oportunista
Em 1984, quando o vento mudou de lado (isto é, as cada vez mais vigorosas mobilizações populares prenunciavam o fim da ditadura militar), Sarney deixou o PDS e ingressou no PFL (Partido da Frente Liberal – hoje o DEM) e, depois de costurar uma aliança com o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), foi indicado como vice-presidente na chapa de Tancredo Neves, pela Frente Liberal. Em virtude do falecimento de Tancredo, assumiu a presidência no dia 15 de abril de 1985.
Pra ficar bem claro: Sarney apoiou a ditadura – período em que consolidou o seu império midiático e político no Maranhão – e quando pressentiu o início do fim se bandeou para a oposição, aconchegando-se no colo do PMDB (o comportamento clássico do rato que abandona o navio que naufraga). Assim foi alçado à presidência da República por conta de uma fatalidade, a morte de Tancredo Neves. Resumindo: o que a nação não queria aconteceu: o primeiro presidente civil, depois do regime militar, foi um fiel discípulo da caserna transmutado de democrata. Bendita diverticulite (doença que matou Tancredo Neves).
A farsa – o golpista
No poder, o governo de José Ribamar Ferreira de Araújo Costa (nome que o coronel recebeu na pia batismal) caracterizou-se pela mediocridade nas políticas sociais e a incompetência na política econômica. Depois de quatro planos econômicos – Cruzado I e II, Bresser e Plano Verão – Maílson da Nóbrega, então o derradeiro ministro da Fazenda de Sarney, hoje conceituado palpiteiro econômico, deixou o país com uma inflação de 2,751%, 80% ao mês. As elites, porém, não tiveram do que se queixar. A Rede Globo, por exemplo, consolidou o seu império midiático, graças ao beneplácito de Antonio Carlos Magalhães (o malfadado ACM), ministro das Comunicações de Sarney (cuja emissora de tevê no Maranhão, é bom registrar, até hoje é associada da Globo.
Depois de garantir mais um ano no poder (foi eleito para quatro e ficou cinco anos), em 1990, após a transmissão do cargo de Presidente a Fernando Collor de Melo em 1990, Sarney transferiu seu domicílio eleitoral para o recém-criado estado do Amapá, antigo território, e candidatou-se e venceu no Senado Federal no mesmo ano.
Day after – impunidade sempre
Segundo denúncias de imprensa da época, a transferência de domicílio eleitoral e a consequente eleição, seria para impedir que Collor entrasse processo para vasculhar irregularidades durante a presidência do coronel.. Sarney reelegeu-se no Senado em 1998 e 2006 e desde então, é representante do Amapá no Senado há quase vinte anos.
Nas eleições de 2006, embora com o mais alto índice de rejeição dentre os candidatos ao Senado pelo Amapá nas pesquisas pré-eleitorais, Sarney venceu o pleito e manteve-se no Senado Federal com 53,8% dos votos válidos, contra 43,5% da segunda colocada, Maria Cristina Almeida (PSB), e 1,2% da terceira colocada, Celisa Capelari (PSOL).
Os canalhas envelhecem (e continuam infames)
Em sua atividade legislativa, Sarney tradicionalmente apoiou o governo, como fez na época do presidente João Goulart antes do golpe militar. Posteriormente, integrou-se à Aliança Renovadora Nacional após o golpe de 1964. Na década de 1980, Sarney, juntamente com políticos do PDS, como Antônio Carlos Magalhães e Marco Maciel, deixou o governo para fundar a Frente Liberal (atual DEM) e foi candidato a vice-presidente na chapa de Tancredo Neves. Anos depois, após o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, Sarney aliou-se ao sucessor, Itamar Franco.
Posteriormente, foi aliado do presidente Fernando Henrique Cardoso, elegendo-se Presidente do Senado com seu apoio, e hoje é aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O deboche final
Em 2 de fevereiro de 2009, foi eleito e tomou posse como Presidente do Senado Federal do Brasil, pela terceira vez. Sarney foi eleito com 49 dos 81 votos dos senadores, derrotando o adversário do PT, Tião Viana.
Como bem observou Nélson Rodrigues, os canalhas também envelhecem. No Brasil, mesmo decrépitos, eles resistem e não largam o osso.
Cabe a nós – eu e você que me lê – trabalhar para interromper este circulo perverso. O primeiro passo é cortar a cabeça da hidra:
#forasarney!!!
Jens
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02/09/2009 às 00:47
SARNEY EH UM LIXO. E ESSA PRAGA JA ESTA CALCULANDO AS VATAGENS Q PODE ADIANTAR PARA OS NETOS, TUDO EM CIMA DO EMBRIONARIO PRE-SAL, A RIQUEZA DE PETROLEO DO QUAL OS SARNEYS NAO PODEM FICAR FORA. O BRASIL NAO ACEITA ESSE LIXO DE SARNEY, FORA ANIMAL NOCIVO. SERA Q TU SARNEY, NAO ENTENDE, OU TUA INTELIGENCIA (QUE SO SE INCLINA PRO MAL) NAO PERCEBE O CANCER Q TU ES PARA O BRASIL ? FORA MALDITO SARNEY
02/09/2009 às 00:23
O Brasil está numa grande crise política. Nós temos no congresso vários deputados e senadores que não representam a população, votam como querem, com rabo-preso e corporativismo. É importante protestar contra eles, mas fato é que para chegar ao poder, eles não contam com a população mas sim com eles mesmos. Eles compram votos com dinheiro que é obtido de favores entre si. Como retirar o sarney se boa parte dos que estão lá estão com rabo-preso com o sarney?
Digo que só há uma forma de mudar isso. Temos que mudar a forma como as pessoas chegam ao poder. A representação tem que estar com o povo e eles devem ser eleitos pelo povo e ter rabo-preso apenas com aqueles que os elegeram.
Temos que mudar o modo como eles chegam ao poder. Eu tenho uma proposta. Usemos a internet para representação. Porque um candidato não pode votar no congresso baseado no voto de seus eleitores em um site ou blog dele? Porque ele tem de votar baseado na cuca dele, se ele foi eleito por pessoas? Porque ele não nos ouve?
Eu estou sugerindo uma mudança na politica. Eu botei essa mudança no meu site (www.miguelrj.com.br) e pretendo me candidatar e passar essa ideia para outros que queiram mudar a politica do pais. Eu acho que a solução do problema é a gente mudar a política e podemos fazer isso usando a internet como nova forma de representação.